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MÓDULO 2.6 Trilha 2 — Prática

🛠️ Construindo uma Skill e um Agente

O system prompt foi só o começo. Agora você sobe um andar: vai empacotar uma habilidade numa Skill (que dispara sozinha pela description) e, quando o trabalho pedir, vai "contratar" um agente com começo e fim bem definidos. Vamos ver as cinco camadas do sistema agêntico, onde cada peça se encaixa, e quando vale paralelizar — com um exemplo real do AutomationsAI no fim.

📋6 tópicos
~40 min
🎯Prático
🧩Skills & Agentes
a pilha do Agentic OS · cada camada se apoia na de baixo ▲ topo · executa base · fundamento ▼ Ferramentas · MCPs · CLIs as mãos: buscar, rodar código, gravar no banco, chamar uma API Agentes & Subagentes papéis com começo e fim definidos · podem rodar em paralelo sub ‖ sub ‖ Skills habilidades empacotadas · disparam sozinhas pela description ⚡ gatilho Regras & Hooks os trilhos: o que sempre vale + automações que disparam em eventos Identidade o bedrock: quem é, os dados, os objetivos — tudo se apoia aqui

Conteúdo detalhado

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O que é uma Skill

Até aqui você escreveu prompt para usar agora, na mão. Uma Skill é o passo seguinte: você empacota uma habilidade — "criar um vídeo", "montar uma HQ", "analisar um fluxo" — de um jeito que a IA puxa sozinha quando o pedido se encaixa. Você não cola o prompt toda vez; a habilidade fica guardada e aparece na hora certa. O segredo de uma boa skill mora em duas partes só.

🧩 Uma skill é duas coisas grudadas

Toda skill tem uma description (a etiqueta que decide quando ela liga) e um corpo de instruções (o que fazer depois que ligou). A description é a parte que a IA lê o tempo todo para decidir se aquele pedido é "da conta" dessa skill. O corpo só é lido quando ela dispara.

Por isso a regra de ouro: a description é a parte mais importante. Uma instrução impecável que nunca dispara não serve para nada. Escreva a etiqueta com gatilhos claros — as palavras reais que o usuário usaria.

O que é

Um pacotinho com um nome, uma description rica em gatilhos, e um corpo de instruções (um SKILL.md) que ensina a IA a executar aquela tarefa do começo ao fim. É como dar à IA uma "receita gravada": ela reconhece o pedido pela etiqueta e segue os passos sem você reexplicar tudo.

Por que importa

Porque uma skill transforma um prompt que você cola toda vez numa capacidade que mora no seu sistema. E porque o ponto de falha número um é o gatilho: skills que "não disparam" quase sempre têm uma description vaga. Acertar a etiqueta é o que separa uma skill útil de uma que dorme para sempre.

Uma description que dispara bem SKILL.md (cabeçalho)
gatilhos explícitos
name: video-explicativo
description: Cria vídeos explicativos em PT-BR a partir de um assunto —
  roteiro, narração, cenas animadas e CTA. Use quando o usuário pedir
  "fazer um vídeo", "vídeo explicativo", "vídeo sobre X", "vídeo pra
  Shorts/Reels", "mini tutorial em vídeo", ou quando der um assunto
  e quiser um vídeo narrado pronto. Cobre roteiro, locução,
  animação, render e a CTA final.

Repare: a description diz o que faz e, principalmente, quando usar — com as frases-gatilho exatas entre aspas. É isso que faz a skill acordar no pedido certo (e ficar quieta nos outros).

🏷️
A description
decide quando dispara
📜
O corpo
o que fazer depois
Gatilhos claros
as palavras do usuário
💤
Sem gatilho
a skill dorme p/ sempre
2

As 5 camadas de um sistema agêntico

Uma skill não vive sozinha. Ela é uma peça de um todo maior — o que o pessoal chama de Agentic OS: um sistema operacional agêntico, montado em camadas. Olhe a pilha lá em cima: cinco andares, da base ao topo, cada um se apoiando no de baixo. Conhecer essa pilha é saber onde cada coisa que você cria vai morar.

🪪

1. Identidade — o bedrock

A base de tudo. Sem ela, todas as camadas de cima ficam "directionally fluffy".

Quem o sistema é, os dados que o aterram, os objetivos. No exemplo de saúde do vídeo-fonte, é o painel de DNA, os marcadores, as metas. "Se o dado não está organizado, você constrói algo fofo que talvez ajude, mas não é feito sob medida pra você."

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2. Regras & Hooks — os trilhos

O que sempre vale, mais as automações que disparam em eventos.

Regras são o comportamento estável ("verdade acima de bajulação"). Hooks são gatilhos automáticos que o harness força em certos momentos — ex.: "depois que eu editar um arquivo, rode os testes". A regra pede; o hook garante.

🧩

3. Skills — as habilidades

A camada do meio: receitas que disparam pela description.

Habilidades empacotadas que o sistema puxa quando o pedido casa — análise de dieta, resumo da semana, extração de relatório. É exatamente o que você viu no tópico 1: description que liga + corpo que executa.

🤖

4. Agentes & Subagentes — os papéis

Trabalhadores com um papel, um começo e um fim definidos.

Um agente tem um papel próprio (ex.: "um coach geral que lê meus marcadores antes de responder"); subagentes são especialistas que ele chama (metabolismo, treino, suplementação). Esta é a camada onde mais gente "pula a arma" — voltamos a ela no tópico 4.

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5. Ferramentas · MCPs · CLIs — as mãos

O topo: o que de fato toca o mundo.

Buscar na web, rodar código, gravar num banco (no exemplo, um Supabase com 13 tabelas), chamar uma API. As camadas de baixo decidem; esta executa. Adicione uma ferramenta nova só quando o sistema realmente precisar dela.

🎯

A ordem é de baixo pra cima

Você constrói o sistema na ordem das camadas: primeiro a identidade (os dados), depois regras/hooks, depois skills, e só então agentes e ferramentas conforme o uso pede. Quem começa pelos agentes está construindo o telhado antes do alicerce.

🪪
1. Identidade
o bedrock
🚦
2. Regras/Hooks
os trilhos
🧩
3. Skills
disparam por description
🤖
4. Agentes
papéis definidos
🔧
5. Ferramentas
as mãos
3

Agente vs. subagente

As palavras agente e subagente confundem porque parecem a mesma coisa. Não são. A diferença é simples: um agente é o trabalhador que recebe a missão; um subagente é um especialista que esse agente chama para uma parte do trabalho — e que devolve só o resultado, sem despejar todo o rascunho de volta.

🤖

Agente — o titular

Recebe a tarefa, mantém o fio da meada e decide o caminho. É quem conversa com você e quem garante que o trabalho chegou ao fim. No exemplo de saúde: o coach geral que lê seus marcadores antes de qualquer resposta.

  • Tem o contexto da missão inteira
  • Decide quando chamar um especialista
  • Junta as peças e entrega o resultado
🧑‍🔬

Subagente — o especialista

É chamado pelo agente para uma fatia específica, faz só aquilo, e devolve uma conclusão enxuta — não o monte de arquivos que leu. No exemplo: um especialista de metabolismo, outro de treino, outro de suplementação.

  • Vê só o pedaço que lhe coube
  • Trabalha numa janela de contexto própria
  • Retorna a conclusão, não o rascunho

🧠 Por que separar dá certo

O grande ganho de um subagente é proteger o contexto do titular. Quando uma tarefa significaria varrer dezenas de arquivos ou logs, o agente delega: o subagente afunda nisso na própria janela e volta só com a conclusão. O titular fica com a resposta, não com o lixo da busca.

É a mesma lógica do mundo real: um diretor não lê cada planilha — ele pede a um analista e recebe o resumo. Cada subagente é um analista com um recorte e um entregável.

💡

Regra de bolso

Skill = uma receita que dispara sozinha. Agente = um trabalhador com um papel. Subagente = um ajudante que o agente chama para uma parte e que devolve só o resultado. A skill é o quê; o agente é quem.

🎯
Agente decide
segura a missão
🔬
Sub executa fatia
um recorte só
🪟
Contexto próprio
protege o titular
📤
Devolve conclusão
não o rascunho
4

Quando "contratar" um agente

Aqui está o erro que o próprio vídeo-fonte alerta: "muita gente pula a arma criando agentes". A tentação é montar um exército de agentes logo no começo, porque parece avançado. Mas um agente só se justifica quando há um papel com uma linha clara de onde começa e onde termina. Sem essa fronteira, você criou complexidade, não capacidade.

📐 O teste do "papel com começo e fim"

  • Dá pra nomear o papel em uma frase? "O agente que faz X." Se você precisa de um parágrafo, o papel ainda não está claro.
  • Onde ele começa? Qual é o gatilho que aciona esse agente, e não outro?
  • Onde ele termina? Qual é o entregável que diz "acabou"? Sem uma linha de chegada, o agente vira um saco sem fundo.

Quando vale criar um agente

  • O papel cabe numa frase, com começo e fim claros
  • A tarefa é mutuamente exclusiva — não se sobrepõe a outra
  • Você já viu, na prática, esse trabalho se repetir
  • Há um entregável concreto que sinaliza "pronto"

Quando é cedo demais (pular a arma)

  • Você cria o agente "porque parece avançado"
  • As regras ainda se sobrepõem — nada está delimitado
  • O papel só descreve em parágrafos vagos onde começa e acaba
  • Uma skill simples já resolveria o mesmo trabalho
💡

A disciplina, dita pelo próprio fonte

"Não faz sentido adicionar agentes no começo, porque eu ainda não recortei qual regra merece ser mutuamente exclusiva versus regras que se sobrepõem." Espere o trabalho se revelar. Crie o agente quando a fronteira do papel ficar óbvia — não antes.

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Paralelizar subagentes

Uma vez que você tem subagentes, vem um superpoder: rodar vários ao mesmo tempo. Quando duas tarefas não dependem uma da outra, não há motivo para fazê-las em fila. Esse é, aliás, um princípio que os próprios sistemas de ponta declaram: "chamadas independentes, sem dependência entre si, vão no mesmo bloco" — em paralelo.

O ganho de rodar junto

Em fila (lento)
A
B
C
um termina, aí o outro começa — o tempo soma
vs
Em paralelo (rápido)
A
B
C
os três largam juntos — o tempo é o do mais lento

Dá pra paralelizar quando…

  • As tarefas são independentes — nenhuma usa o resultado da outra
  • Cada subagente tem o seu próprio recorte e entregável
  • Você quer cobrir várias frentes de pesquisa de uma vez
  • Não há estado compartilhado que um possa atropelar no outro

NÃO paralelize quando…

  • O passo B precisa do que o passo A descobriu (é uma cadeia)
  • Dois agentes escreveriam no mesmo arquivo ao mesmo tempo
  • A ordem importa para o resultado final
  • É uma tarefa única e pequena — paralelizar é só overhead
🌿

A pergunta que destrava tudo

Antes de despachar, pergunte: "o passo seguinte precisa do resultado do anterior?" Se não, mande junto. Se sim, é cadeia — respeite a ordem. Trabalho independente em paralelo, trabalho dependente em sequência.

6

Exemplo real: uma skill do AutomationsAI

Chega de abstração — vamos abrir uma skill de verdade do AutomationsAI. A video-explicativo pega um assunto e devolve um vídeo narrado, animado e renderizado. Ela é o caso perfeito de Contrato de Ferramenta (Técnica 8): cada etapa do pipeline tem gatilho, pré-requisito e ordem — é isso que separa um agente que executa de um que tateia.

video-explicativo — o pipeline em ordem SKILL.md
contrato de ferramenta
DISPARA quando: "fazer um vídeo", "vídeo sobre X", "vídeo pra Shorts"

① roteiro     → escreve SCRIPT.md (beats do assunto)
② narração    → gera os WAVs (TTS local)  · pré-req: roteiro pronto
③ composição  → monta as cenas animadas   · pré-req: durações medidas
④ validar     → lint + inspect (0 erro)   · antes de renderizar
⑤ render      → HTML → MP4 (16:9 e 9:16)

REGRA DE OURO: a CTA do AutomationsAI é sempre a última cena.

Cada etapa só roda depois que a anterior entregou — narração precisa do roteiro, composição precisa das durações. Isso é o contrato: quando, em que ordem, com qual pré-requisito. Sem ele, a IA tentaria renderizar antes de existir áudio.

🧱 Onde cada camada aparece aqui

Identidade: o padrão do AutomationsAI — PT-BR, dark premium âmbar, voz local. É o bedrock que a skill assume.

Regra: "a CTA do AutomationsAI é sempre a última cena" — não-negociável, sempre vale.

Skill: a própria video-explicativo, que dispara pela description rica em gatilhos.

Agente: num pacote maior (o "produtor"), um agente orquestra plano → direção → render, chamando skills como esta.

Ferramentas/CLIs: o TTS local, o HyperFrames (HTML→MP4), o FFmpeg — as mãos que de fato geram o arquivo.

Onde dá pra paralelizar (e onde não)

Os dois formatos — 16:9 e 9:16 — são independentes: dá pra renderizar em paralelo. Já o pipeline em si (roteiro → narração → composição) é uma cadeia: cada etapa precisa da anterior, então roda em sequência. Mesmo dentro de uma skill, você separa o que é independente do que é dependente.

⚠️ O ponto cego: verificar de verdade

A etapa que quase todo pipeline trata mal é a verificação. Não basta a skill dizer "renderizei". O contrato precisa fechar com uma cláusula de verificação:

  • 1.O arquivo existe no destino certo? (não confie no exit code)
  • 2.O lint passou com zero erro antes do render?
  • 3.Narre fielmente o que aconteceu — em vez de dizer "pronto" sem ter olhado.
📄
Skill = pipeline
com contrato
🔗
Ordem importa
pré-req por etapa
16:9 ‖ 9:16
paralelo onde dá
Verifique a saída
e narre fiel

🛠️ Mão na massa: seu entregável

Antes de seguir, rascunhe a sua. Em 15 minutos você sai com o esqueleto de uma skill — e a clareza de saber se ela precisa de um agente ou não.

  1. 1 Escolha uma tarefa repetitiva sua (gerar um post, resumir um relatório, montar um slide). Escreva a description com 3 a 5 frases-gatilho — as palavras reais que você usaria ao pedir.
  2. 2 Liste o pipeline em ordem: cada etapa com o seu pré-requisito (o que precisa estar pronto antes). É o seu contrato de ferramenta.
  3. 3 Aplique o teste do tópico 4: isso é uma skill (uma receita que dispara) ou pede um agente (um papel com começo e fim)? Na dúvida, fique na skill.
  4. 4 Marque quais etapas são independentes (poderiam rodar em paralelo) e feche com uma linha de verificação: como você confere que a saída existe de verdade.

📝 Resumo do Módulo

  • Uma Skill é a description que dispara + o corpo que executa; a description é a parte mais importante
  • As 5 camadas do Agentic OS: identidade → regras/hooks → skills → agentes/subagentesferramentas/MCPs/CLIs
  • Agente segura a missão; subagente faz uma fatia em contexto próprio e devolve só a conclusão
  • Contrate um agente só quando o papel tem começo e fim claros — não pule a arma
  • Paralelize o que é independente; deixe em sequência o que é cadeia
  • Uma skill real é um pipeline com contrato (gatilho, ordem, pré-requisito) que fecha verificando a saída

➡️ Próximo Módulo

2.7 — ✅ Verificação e relato fiel. Você montou a skill e desenhou o agente. Agora a peça que fecha tudo: como fazer a IA conferir de verdade que o trabalho deu certo — e narrar o que aconteceu sem dizer "pronto" no escuro.