🛠️ Construindo uma Skill e um Agente
O system prompt foi só o começo. Agora você sobe um andar: vai empacotar uma habilidade numa Skill (que dispara sozinha pela description) e, quando o trabalho pedir, vai "contratar" um agente com começo e fim bem definidos. Vamos ver as cinco camadas do sistema agêntico, onde cada peça se encaixa, e quando vale paralelizar — com um exemplo real do AutomationsAI no fim.
Conteúdo detalhado
O que é uma Skill
Até aqui você escreveu prompt para usar agora, na mão. Uma Skill é o passo seguinte: você empacota uma habilidade — "criar um vídeo", "montar uma HQ", "analisar um fluxo" — de um jeito que a IA puxa sozinha quando o pedido se encaixa. Você não cola o prompt toda vez; a habilidade fica guardada e aparece na hora certa. O segredo de uma boa skill mora em duas partes só.
🧩 Uma skill é duas coisas grudadas
Toda skill tem uma description (a etiqueta que decide quando ela liga) e um corpo de instruções (o que fazer depois que ligou). A description é a parte que a IA lê o tempo todo para decidir se aquele pedido é "da conta" dessa skill. O corpo só é lido quando ela dispara.
Por isso a regra de ouro: a description é a parte mais importante. Uma instrução impecável que nunca dispara não serve para nada. Escreva a etiqueta com gatilhos claros — as palavras reais que o usuário usaria.
O que é
Um pacotinho com um nome, uma description rica em gatilhos, e um corpo de instruções (um SKILL.md) que ensina a IA a executar aquela tarefa do começo ao fim. É como dar à IA uma "receita gravada": ela reconhece o pedido pela etiqueta e segue os passos sem você reexplicar tudo.
Por que importa
Porque uma skill transforma um prompt que você cola toda vez numa capacidade que mora no seu sistema. E porque o ponto de falha número um é o gatilho: skills que "não disparam" quase sempre têm uma description vaga. Acertar a etiqueta é o que separa uma skill útil de uma que dorme para sempre.
name: video-explicativo description: Cria vídeos explicativos em PT-BR a partir de um assunto — roteiro, narração, cenas animadas e CTA. Use quando o usuário pedir "fazer um vídeo", "vídeo explicativo", "vídeo sobre X", "vídeo pra Shorts/Reels", "mini tutorial em vídeo", ou quando der um assunto e quiser um vídeo narrado pronto. Cobre roteiro, locução, animação, render e a CTA final.
Repare: a description diz o que faz e, principalmente, quando usar — com as frases-gatilho exatas entre aspas. É isso que faz a skill acordar no pedido certo (e ficar quieta nos outros).
As 5 camadas de um sistema agêntico
Uma skill não vive sozinha. Ela é uma peça de um todo maior — o que o pessoal chama de Agentic OS: um sistema operacional agêntico, montado em camadas. Olhe a pilha lá em cima: cinco andares, da base ao topo, cada um se apoiando no de baixo. Conhecer essa pilha é saber onde cada coisa que você cria vai morar.
1. Identidade — o bedrock
A base de tudo. Sem ela, todas as camadas de cima ficam "directionally fluffy".
Quem o sistema é, os dados que o aterram, os objetivos. No exemplo de saúde do vídeo-fonte, é o painel de DNA, os marcadores, as metas. "Se o dado não está organizado, você constrói algo fofo que talvez ajude, mas não é feito sob medida pra você."
2. Regras & Hooks — os trilhos
O que sempre vale, mais as automações que disparam em eventos.
Regras são o comportamento estável ("verdade acima de bajulação"). Hooks são gatilhos automáticos que o harness força em certos momentos — ex.: "depois que eu editar um arquivo, rode os testes". A regra pede; o hook garante.
3. Skills — as habilidades
A camada do meio: receitas que disparam pela description.
Habilidades empacotadas que o sistema puxa quando o pedido casa — análise de dieta, resumo da semana, extração de relatório. É exatamente o que você viu no tópico 1: description que liga + corpo que executa.
4. Agentes & Subagentes — os papéis
Trabalhadores com um papel, um começo e um fim definidos.
Um agente tem um papel próprio (ex.: "um coach geral que lê meus marcadores antes de responder"); subagentes são especialistas que ele chama (metabolismo, treino, suplementação). Esta é a camada onde mais gente "pula a arma" — voltamos a ela no tópico 4.
5. Ferramentas · MCPs · CLIs — as mãos
O topo: o que de fato toca o mundo.
Buscar na web, rodar código, gravar num banco (no exemplo, um Supabase com 13 tabelas), chamar uma API. As camadas de baixo decidem; esta executa. Adicione uma ferramenta nova só quando o sistema realmente precisar dela.
A ordem é de baixo pra cima
Você constrói o sistema na ordem das camadas: primeiro a identidade (os dados), depois regras/hooks, depois skills, e só então agentes e ferramentas conforme o uso pede. Quem começa pelos agentes está construindo o telhado antes do alicerce.
Agente vs. subagente
As palavras agente e subagente confundem porque parecem a mesma coisa. Não são. A diferença é simples: um agente é o trabalhador que recebe a missão; um subagente é um especialista que esse agente chama para uma parte do trabalho — e que devolve só o resultado, sem despejar todo o rascunho de volta.
Agente — o titular
Recebe a tarefa, mantém o fio da meada e decide o caminho. É quem conversa com você e quem garante que o trabalho chegou ao fim. No exemplo de saúde: o coach geral que lê seus marcadores antes de qualquer resposta.
- •Tem o contexto da missão inteira
- •Decide quando chamar um especialista
- •Junta as peças e entrega o resultado
Subagente — o especialista
É chamado pelo agente para uma fatia específica, faz só aquilo, e devolve uma conclusão enxuta — não o monte de arquivos que leu. No exemplo: um especialista de metabolismo, outro de treino, outro de suplementação.
- •Vê só o pedaço que lhe coube
- •Trabalha numa janela de contexto própria
- •Retorna a conclusão, não o rascunho
🧠 Por que separar dá certo
O grande ganho de um subagente é proteger o contexto do titular. Quando uma tarefa significaria varrer dezenas de arquivos ou logs, o agente delega: o subagente afunda nisso na própria janela e volta só com a conclusão. O titular fica com a resposta, não com o lixo da busca.
É a mesma lógica do mundo real: um diretor não lê cada planilha — ele pede a um analista e recebe o resumo. Cada subagente é um analista com um recorte e um entregável.
Regra de bolso
Skill = uma receita que dispara sozinha. Agente = um trabalhador com um papel. Subagente = um ajudante que o agente chama para uma parte e que devolve só o resultado. A skill é o quê; o agente é quem.
Quando "contratar" um agente
Aqui está o erro que o próprio vídeo-fonte alerta: "muita gente pula a arma criando agentes". A tentação é montar um exército de agentes logo no começo, porque parece avançado. Mas um agente só se justifica quando há um papel com uma linha clara de onde começa e onde termina. Sem essa fronteira, você criou complexidade, não capacidade.
📐 O teste do "papel com começo e fim"
- ① Dá pra nomear o papel em uma frase? "O agente que faz X." Se você precisa de um parágrafo, o papel ainda não está claro.
- ② Onde ele começa? Qual é o gatilho que aciona esse agente, e não outro?
- ③ Onde ele termina? Qual é o entregável que diz "acabou"? Sem uma linha de chegada, o agente vira um saco sem fundo.
✓ Quando vale criar um agente
- ✓O papel cabe numa frase, com começo e fim claros
- ✓A tarefa é mutuamente exclusiva — não se sobrepõe a outra
- ✓Você já viu, na prática, esse trabalho se repetir
- ✓Há um entregável concreto que sinaliza "pronto"
✗ Quando é cedo demais (pular a arma)
- ✗Você cria o agente "porque parece avançado"
- ✗As regras ainda se sobrepõem — nada está delimitado
- ✗O papel só descreve em parágrafos vagos onde começa e acaba
- ✗Uma skill simples já resolveria o mesmo trabalho
A disciplina, dita pelo próprio fonte
"Não faz sentido adicionar agentes no começo, porque eu ainda não recortei qual regra merece ser mutuamente exclusiva versus regras que se sobrepõem." Espere o trabalho se revelar. Crie o agente quando a fronteira do papel ficar óbvia — não antes.
Paralelizar subagentes
Uma vez que você tem subagentes, vem um superpoder: rodar vários ao mesmo tempo. Quando duas tarefas não dependem uma da outra, não há motivo para fazê-las em fila. Esse é, aliás, um princípio que os próprios sistemas de ponta declaram: "chamadas independentes, sem dependência entre si, vão no mesmo bloco" — em paralelo.
⚡ O ganho de rodar junto
✓ Dá pra paralelizar quando…
- ✓As tarefas são independentes — nenhuma usa o resultado da outra
- ✓Cada subagente tem o seu próprio recorte e entregável
- ✓Você quer cobrir várias frentes de pesquisa de uma vez
- ✓Não há estado compartilhado que um possa atropelar no outro
✗ NÃO paralelize quando…
- ✗O passo B precisa do que o passo A descobriu (é uma cadeia)
- ✗Dois agentes escreveriam no mesmo arquivo ao mesmo tempo
- ✗A ordem importa para o resultado final
- ✗É uma tarefa única e pequena — paralelizar é só overhead
A pergunta que destrava tudo
Antes de despachar, pergunte: "o passo seguinte precisa do resultado do anterior?" Se não, mande junto. Se sim, é cadeia — respeite a ordem. Trabalho independente em paralelo, trabalho dependente em sequência.
Exemplo real: uma skill do AutomationsAI
Chega de abstração — vamos abrir uma skill de verdade do AutomationsAI. A video-explicativo pega um assunto e devolve um vídeo narrado, animado e renderizado. Ela é o caso perfeito de Contrato de Ferramenta (Técnica 8): cada etapa do pipeline tem gatilho, pré-requisito e ordem — é isso que separa um agente que executa de um que tateia.
DISPARA quando: "fazer um vídeo", "vídeo sobre X", "vídeo pra Shorts" ① roteiro → escreve SCRIPT.md (beats do assunto) ② narração → gera os WAVs (TTS local) · pré-req: roteiro pronto ③ composição → monta as cenas animadas · pré-req: durações medidas ④ validar → lint + inspect (0 erro) · antes de renderizar ⑤ render → HTML → MP4 (16:9 e 9:16) REGRA DE OURO: a CTA do AutomationsAI é sempre a última cena.
Cada etapa só roda depois que a anterior entregou — narração precisa do roteiro, composição precisa das durações. Isso é o contrato: quando, em que ordem, com qual pré-requisito. Sem ele, a IA tentaria renderizar antes de existir áudio.
🧱 Onde cada camada aparece aqui
Identidade: o padrão do AutomationsAI — PT-BR, dark premium âmbar, voz local. É o bedrock que a skill assume.
Regra: "a CTA do AutomationsAI é sempre a última cena" — não-negociável, sempre vale.
Skill: a própria video-explicativo, que dispara pela description rica em gatilhos.
Agente: num pacote maior (o "produtor"), um agente orquestra plano → direção → render, chamando skills como esta.
Ferramentas/CLIs: o TTS local, o HyperFrames (HTML→MP4), o FFmpeg — as mãos que de fato geram o arquivo.
Onde dá pra paralelizar (e onde não)
Os dois formatos — 16:9 e 9:16 — são independentes: dá pra renderizar em paralelo. Já o pipeline em si (roteiro → narração → composição) é uma cadeia: cada etapa precisa da anterior, então roda em sequência. Mesmo dentro de uma skill, você separa o que é independente do que é dependente.
⚠️ O ponto cego: verificar de verdade
A etapa que quase todo pipeline trata mal é a verificação. Não basta a skill dizer "renderizei". O contrato precisa fechar com uma cláusula de verificação:
- 1.O arquivo existe no destino certo? (não confie no exit code)
- 2.O lint passou com zero erro antes do render?
- 3.Narre fielmente o que aconteceu — em vez de dizer "pronto" sem ter olhado.
🛠️ Mão na massa: seu entregável
Antes de seguir, rascunhe a sua. Em 15 minutos você sai com o esqueleto de uma skill — e a clareza de saber se ela precisa de um agente ou não.
- 1 Escolha uma tarefa repetitiva sua (gerar um post, resumir um relatório, montar um slide). Escreva a description com 3 a 5 frases-gatilho — as palavras reais que você usaria ao pedir.
- 2 Liste o pipeline em ordem: cada etapa com o seu pré-requisito (o que precisa estar pronto antes). É o seu contrato de ferramenta.
- 3 Aplique o teste do tópico 4: isso é uma skill (uma receita que dispara) ou pede um agente (um papel com começo e fim)? Na dúvida, fique na skill.
- 4 Marque quais etapas são independentes (poderiam rodar em paralelo) e feche com uma linha de verificação: como você confere que a saída existe de verdade.
📝 Resumo do Módulo
- ✓Uma Skill é a description que dispara + o corpo que executa; a description é a parte mais importante
- ✓As 5 camadas do Agentic OS: identidade → regras/hooks → skills → agentes/subagentes → ferramentas/MCPs/CLIs
- ✓Agente segura a missão; subagente faz uma fatia em contexto próprio e devolve só a conclusão
- ✓Contrate um agente só quando o papel tem começo e fim claros — não pule a arma
- ✓Paralelize o que é independente; deixe em sequência o que é cadeia
- ✓Uma skill real é um pipeline com contrato (gatilho, ordem, pré-requisito) que fecha verificando a saída
➡️ Próximo Módulo
2.7 — ✅ Verificação e relato fiel. Você montou a skill e desenhou o agente. Agora a peça que fecha tudo: como fazer a IA conferir de verdade que o trabalho deu certo — e narrar o que aconteceu sem dizer "pronto" no escuro.