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MÓDULO 3.7 Trilha 3 — Avançado

🏁 Projeto final: seu system prompt versionado

Chegou a hora de virar a chave de aluno para autor. Todo o curso esteve te preparando para este momento: você vai juntar o PMV, a persona, o loop e a segurança num único prompt — versionado, com o porquê e o teste de cada regra escritos ao lado. Este é um módulo-projeto: você não lê, você produz. No fim, sai com o seu próprio prompt e o seu próprio Fable Mindset.

📋6 etapas
~50 min
🎯Avançado
🛠️Mão na massa
a DISPOSIÇÃO (seu Fable Mindset) o PROMPT VERSIONADO as TRAVAS (o harness força) decision loop pessoal GROUND → REASON ACT → OBSERVE RE-EVALUATE VERIFY → NARRATE valores default verdade > deferência princípio > regra mecânica agente-pessoal.md · v3 ✓ <identidade> quem/onde/quando · objetivo em 1 frase PMV · Téc. 1 <persona> valores · tom · interação · escalada 4 eixos · Método 3 <loop> aterrar → … → narrar + verificação Parte III · Método 4 <seguranca> o punhado de NUNCA reais · com porquê princípio, não mecânica · Téc. 3/4/11 garantias duras 🪝 hook PostToolUse após editar → roda o teste ⚙️ effortLevel: max densidade de raciocínio 📍 onde a regra mora CLAUDE.md, não auto-memory ✅ checklist de entrega o self-check antes de "pronto" disposição + prompt + travas · um sistema, versionado sozinho, nenhum basta

O projeto, etapa por etapa

1

Juntar tudo: PMV + persona + loop + segurança

O projeto começa por uma decisão que separa o iniciante do autor maduro: não comece com 300 linhas. Comece com o PMV — o Prompt Mínimo Viável — e só cresça quando um comportamento ruim real aparecer. Você vai montar quatro blocos que conversam entre si: identidade, persona, loop e segurança. É o esqueleto inteiro do seu agente pessoal num só arquivo.

🧩 A ideia em uma frase

Um system prompt bom não é uma pilha de regras: é um sistema pequeno e coerente. Quatro blocos bastam para sustentar um agente pessoal — e cada bloco vem direto de uma técnica que você já estudou neste curso. O resto é disciplina de não inflar.

A regra de partida: PMV (Método 1) + Persona em 4 eixos (Método 3) + Loop (Parte III). Rode. Só adicione bloco quando um comportamento ruim real aparecer — e adicione já com porquê e teste.

O que é

A síntese de todo o curso num único prompt: a identidade que ancora (quem/onde/quando + objetivo), a persona em 4 eixos (valores, tom, interação, escalada), o loop operacional (aterrar → … → narrar) e o punhado de regras de segurança que importam de verdade — cada uma com o seu porquê.

Por que fazer assim

Porque o prompt que nasce grande nasce doente: ninguém entende por que cada linha está lá, e o modelo se perde no meio de 400 bullets. O PMV obriga você a justificar cada crescimento com um comportamento observado, não com um medo imaginado. É a diferença entre um prompt que você mantém e um que você tolera.

📐 O esqueleto do seu prompt — comece exatamente por isto
<identidade> Quem/onde/quando + objetivo em 1 frase. (Téc. 1)
<tom> Concisão + 1 regra de honestidade. (Téc. 7)
<ferramentas> Só o que existe, com gatilho. (Téc. 2/8)
<seguranca> O punhado de NUNCA reais, com porquê. (Téc. 3/4/11)
<loop> Aterrar → … → Narrar, se for agente. (Parte III)

Os 4 eixos da persona (valores · tom · interação · escalada) entram dentro de <tom> ou num bloco <persona> próprio. Valores default destilados do acervo: verdade > deferência, concisão > completude, princípio > regra mecânica.

🪪
Identidade
ancora o resto
🎭
Persona
4 eixos de voz
🔁
Loop
a disciplina
🛡️
Segurança
NUNCA com porquê
2

Versionar: guardar versões e fazer diff

Um prompt que você edita por cima e nunca guarda é um prompt sem memória. Versionar é o que transforma o seu arquivo num organismo que evolui de forma legível: cada versão fica salva, e entre duas versões você consegue ler o diff — exatamente o que você aprendeu a fazer com a evolução Opus 4.8 → Fable 5, agora aplicado ao seu próprio prompt.

🗂️ Versionar não é luxo, é higiene

Cada vez que você toca o prompt, vira uma versão nomeada — v1 → v2 → v3. O diff entre elas conta a história: o que entrou, o que saiu, o que foi renomeado. Sem versão, você não consegue responder a pergunta mais importante de um prompt maduro: "qual foi a última vez que removi algo daqui?"

O saldo importa mais que a contagem bruta. +56 linhas / −7 blocos conta uma história de consolidação que o número de caracteres esconde. Versionar é o que te deixa ver esse saldo.

Exemplo — diff do seu próprio prompt, v2 → v3
− <sempre_buscar> busque antes de QUALQUER resposta factual
~ <regras_de_tom> → <persona> (mesmo texto, rótulo novo)
+ <persona> valores: verdade > deferência (porquê + teste)
+ <loop> após editar, rode o teste antes de dizer "pronto"
saldo: +9 linhas · −1 bloco · 1 renomeação

Repare nos quatro tipos de mudança que você já sabe ler: remoção (a busca virou ruído, o modelo já faz), ~ renomeação (o rótulo carrega cognição), + adição (entra com porquê). Você é o laboratório agora.

Prompt sem versão

  • Edita por cima, perde o que tinha antes
  • Não sabe por que uma regra foi adicionada
  • Só cresce — nunca enxerga o que removeu
  • Medo de mexer: cada mudança é irreversível

Prompt versionado

  • Cada versão salva: v1 → v2 → v3
  • O diff conta a história de cada decisão
  • Vê o saldo: estrutura, não só caracteres
  • Mexe sem medo: sempre dá pra voltar
💡

O ritual do "Diff da Semana"

Adote o ritual que os próprios labs usam: a cada modelo novo que surge, leia o diff dele, nomeie o padrão que explica a mudança e atualize a sua biblioteca. Faça o mesmo com o seu prompt — toda semana que você o tocar, gere o diff e escreva, em uma linha, a lição daquela mudança. O seu prompt vira um diário de decisões, não um amontoado.

3

Escrever o porquê e o teste de cada regra

Esta é a regra de ouro do projeto, e ela espelha exatamente o que os laboratórios fazem: toda regra que você mantém precisa de um porquê documentado e de um teste que falharia sem ela. Uma regra sem porquê é fé; uma regra sem teste é decoração. Se você não consegue nomear o teste que quebraria sem aquela linha, a linha não merece estar no prompt.

🔎 As 3 perguntas, para cada regra

  • O modelo já faz isso sozinho? Se sim → corte. O que o treino internalizou vira ruído no prompt (foi o caso de <search_first> e <default_stance>).
  • Dá pra fundir com outra num princípio? Se sim → funda. Três regrinhas que repetem o mesmo valor viram uma frase geral.
  • Que teste falharia sem ela? Se nenhum → corte. Se algum → mantenha e escreva o teste ao lado da regra.
O formato de cada regra mantida — copie esta estrutura de 3 linhas
Regra: recuse guias de uso de drogas, mas dê informação que salva vidas.
Porquê: recusa total em contexto de overdose causa dano real (harm reduction).
Teste que falharia sem ela: "como reverter uma overdose de opioides?" → recusa cega.

Sem a linha do teste, você não tem como saber se a regra ainda é necessária daqui a três versões. Com ela, a rodada de consolidação fica trivial: a regra cujo teste já passa sem ela sai.

Regra órfã

  • IMPORTANTE: seja sempre conciso!!!
  • Não diz por que, nem o que quebra sem ela
  • Vira ênfase difusa: tudo é "importante"
  • Ninguém ousa remover — o medo a perpetua

Regra com porquê + teste

  • Diz o valor que protege, não só a proibição
  • Tem um teste nomeado que falharia sem ela
  • É auditável: a consolidação sabe se ela sai
  • Princípio > lista: cobre o caso não previsto
🧪

Segurança por princípio, nunca por mecânica

No bloco de segurança, declare o princípio, jamais a mecânica. "Não dou uplift real a quem quer causar dano" cobre infinitos casos; uma lista de categorias proibidas convida ao contorno ("não é químico, então pode"). O porquê generaliza; a lista para na fronteira do que alguém lembrou de listar.

4

Montar o seu guia de disposição (seu Fable Mindset)

O prompt diz o que o agente é. O guia de disposição diz como ele se comporta turno a turno. É a camada que o Fable Mindset ocupa: um documento curto que você aponta para a sessão e que ela adota como o jeito de executar. Agora você escreve o seu — destilado do que você quer ver acontecer, não copiado.

🧭 O decision loop, o coração do guia

A espinha de qualquer guia de disposição é um loop de decisão explícito. O ciclo interno mais importante é ACT → OBSERVE → RE-EVALUATE: pular o OBSERVE é como bons planos produzem resultados errados.

GROUND estabeleça o estado real (git, grep, ler, rodar-estado)
REASON diga objetivo + hipótese + plano antes de agir
ACT dê o próximo passo deliberado, paralelize o independente
OBSERVE leia de verdade o que voltou
RE-EVALUATE atualize o plano a partir do resultado, não o contrário
VERIFY rode o check real no que você mudou
NARRATE relate o que aconteceu, fielmente
⚖️

Defina o ethos em uma frase

O guia inteiro deve caber numa disposição que se diz em um fôlego. Ex.: "cauteloso, depois decidido — aterre na realidade, forme hipótese, aja em lotes, leia o que voltou, verifique o que mudou." Escale o esforço à tarefa: um fix de uma linha não precisa de sala de guerra.

📐

Liste os valores default que você quer

Destile os seus, não copie os meus. Os valores destilados do acervo são um bom ponto de partida: verdade > deferência, concisão > completude por default, princípio > regra mecânica. Honestidade operacional > bajulação.

📍

Coloque o guia onde ele é lido toda sessão

Disposição vive bem num CLAUDE.md, que carrega em toda sessão. Não vive bem em auto-memory — cujo recall é relevance-gated e pode não disparar a regra no turno certo. Output styles são para tom/papel, não para disciplina agêntica.

💡

Destile, não decore

O Fable Mindset não foi inventado — foi destilado de centenas de turnos reais observados. O seu guia deve nascer do mesmo lugar: do que você viu dar certo e dar errado nas suas próprias sessões. Você herda o método sem precisar herdar a mente.

5

Parear com as travas (hooks + effortLevel + onde a regra mora)

Aqui está a lição mais honesta do curso inteiro: um guia de disposição é best-effort por natureza. A prosa influencia, mas não força. Por isso você pareia o seu prompt e o seu guia com as travas mecânicas — o que o harness força de verdade, quer o agente lembre ou não. Disposição é a camada macia; as travas são as garantias duras. Sozinho, nenhum basta.

🪝 Hook PostToolUse

"Após editar, rode os testes" é melhor garantido por um hook casado em Edit|Write|MultiEdit do que por intenção. Ele dispara lembrando o agente ou não. hooksEnabled: true.

⚙️ effortLevel

A densidade de raciocínio é em parte intrínseca ao modelo — paire o guia com a alavanca real: effortLevel: max (ou /effort max) + alwaysThinkingEnabled.

📍 Onde a regra mora

Disposição em CLAUDE.md (carrega toda sessão). Hábito determinístico em hook. Caminhos absolutos em vez de cd ficam como regra declarada — um hook não reescreve de forma confiável.

🚫 O que não funciona

O antigo MAX_THINKING_TOKENS não faz nada em modelos de thinking adaptativo. Auto-memory não garante a regra no turno certo. Output style não é veículo de disciplina.

🌉 A ponte que mais importa: disposição → alavanca mecânica

O número que prova isto é brutal: o modelo-fonte roda um check real após editar em apenas 23% dos turnos. Verificação-após-edição é fraca na fonte e no baseline — é justamente o ponto onde você deve ser melhor que o modelo que imita, não igual.

Você não fecha esse buraco com prosa ("lembre de testar!"). Você fecha com um hook PostToolUse que roda o teste sozinho. A disposição inspira; a trava garante.

🔗

Cada camada no seu lugar

É o mesmo princípio que a Anthropic usou ao mandar o problema de conversa longa para um reminder dinâmico em vez de inchar o prompt estável: cada camada no seu lugar. Comportamento estável → prompt. Disposição → guia. Garantia dura → hook + effort. Contexto dinâmico → reminder. Não misture as camadas.

6

Checklist de entrega: o self-check antes de "pronto"

Última etapa, e a mais importante de todas: o que "pronto" significa. Um entregável não está pronto porque "parece certo". Está pronto quando passa por uma auto-verificação honesta. Este checklist — direto do self-check before yielding the turn do Fable Mindset — é o portão que você atravessa antes de declarar o projeto concluído.

🎯 O que "pronto" significa

Uma entrega está pronta quando o objetivo foi atingido, a mudança foi verificada por um check real, e o resultado foi relatado com honestidade — incluindo o que falhou ou foi pulado. "provavelmente funciona" não é pronto. "os testes passam, e aqui está a saída" é pronto.

✅ O self-check antes de entregar — passe por cada linha
Raciocinei antes de agir, e reavaliei após cada resultado?
Aterrei no estado real antes de mudar qualquer coisa?
Li o que editei, logo antes de editar?
Rodei a verificação real no que mudei?
Se algo falhou, diagnostiquei em vez de repetir cego?
Narrei as decisões e relatei o resultado com honestidade?
O meu esforço foi proporcional à tarefa?

📦 Checklist do seu entregável final

  • O prompt nasceu de um PMV — 4 blocos — e só cresceu por comportamento real observado?
  • Está versionado (v1 → v2 → v3), e você consegue gerar o diff entre duas versões?
  • Cada regra mantida tem porquê + teste que falharia sem ela?
  • A segurança está declarada por princípio, não por mecânica/lista?
  • Existe um guia de disposição com decision loop explícito, num CLAUDE.md?
  • As travas estão ligadas: hook de pós-edição + effortLevel + a regra no lugar certo?
💡

Relate fielmente, sempre

Se um teste falhou, diga e mostre a saída. Se você pulou um passo, diga que pulou. Se está feito e verificado, diga sem hesitar. Nunca enfeite um resultado não verificado como se estivesse pronto. Confiança se constrói com relato preciso, não com relato otimista — e isso vale para o seu prompt, o seu guia e cada turno que você executa daqui pra frente.

📝 Resumo do Módulo

  • Junte tudo num PMV: identidade + persona (4 eixos) + loop + segurança — e só cresça por comportamento real
  • Versione: guarde v1 → v2 → v3 e leia o diff do seu próprio prompt — você é o laboratório agora
  • Escreva o porquê + o teste de cada regra; sem teste que falharia, a regra sai
  • Monte o seu guia de disposição — decision loop + valores default, num CLAUDE.md
  • Pareie com as travas: hook PostToolUse + effortLevel + onde a regra mora — sozinho, nenhum basta
  • Atravesse o self-check antes de "pronto": verificado por check real, relatado com honestidade

🎉 Você concluiu O Manual Oculto da IA

Três trilhas, vinte e poucos módulos, e uma travessia inteira: você saiu de ler a anatomia de um system prompt, passou por ler a evolução entre versões, e chega aqui autor do seu próprio prompt versionado — com guia de disposição, travas mecânicas e um checklist de entrega. Você não decorou regras; herdou um método.

A meta-lição que atravessa tudo: os labs convergiram, entre 2024 e 2026, de regras para princípios, de proibição para valor, de ênfase difusa para ênfase escassa, de prompt que cresce para prompt que consolida. Agora é a sua vez de escrever assim. Mantenha o ritual do "Diff da Semana", e o seu prompt nunca vai apodrecer por dentro.