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MÓDULO 2.1 Trilha 2 — Prática

🚀 Seu primeiro prompt: o Mínimo Viável

Chega de teoria — mão na massa. Você não vai escrever 300 linhas. Vai montar um Prompt Mínimo Viável (PMV): cinco bloquinhos colados, rodados na hora, e crescidos só quando algo der errado de verdade. Ao fim deste módulo, você terá um system prompt completo, montado com as suas próprias mãos a partir da biblioteca de blocos.

📋6 tópicos
~35 min
🎯Prático
🛠️Mão na massa
as 5 peças (a biblioteca de blocos) o PMV montado · pronto pra rodar <identidade> quem · onde · objetivo em 1 frase <tom> concisão + 1 regra de honestidade <ferramentas> só o que existe, com gatilho <seguranca> o punhado de NUNCA reais, com porquê <loop> aterrar → … → narrar (se for agente) system_prompt.md ① <identidade> ② <tom> ③ <ferramentas> ④ <seguranca> ⑤ <loop> ▶ rode · observe · só então cresça

Conteúdo detalhado

1

O que é o Prompt Mínimo Viável

O erro número um de quem começa a escrever system prompt é o mesmo: despejar tudo de uma vez. Trezentas linhas de "sempre faça", "nunca faça", "lembre-se de", "é muito importante que". O resultado? Um prompt inchado, cheio de regra que o modelo já obedecia sozinho, impossível de depurar quando algo dá errado. O PMV faz o contrário: começa pequeno, roda, e só cresce sob pressão real.

🚀 A ideia em uma frase

O Prompt Mínimo Viável é o menor system prompt que já te serve — cinco bloquinhos, nada de enfeite — montado pra rodar hoje. Ele não é o prompt final; é o ponto de partida que você vai fazer evoluir com evidência, não com palpite.

A regra de ouro vem direto do método: "Não comece com 300 linhas. Comece com 5 blocos." Rode. Só adicione um bloco quando um comportamento ruim real aparecer — e adicione com porquê e com teste.

O que é

Um system prompt enxuto formado por cinco blocos prontos — identidade, tom, ferramentas, segurança e loop — copiados da biblioteca, com os {espaços} preenchidos pro seu caso. É a versão "carro andando" do prompt: nada de luxo, mas sai da garagem.

Por que começar assim

Porque um prompt pequeno é um prompt que você entende. Quando a IA faz algo estranho, num PMV você sabe exatamente onde olhar — são cinco blocos, não trezentas linhas. E porque a maioria das "regras" que as pessoas escrevem é desperdício: o modelo já faz aquilo. Começar pequeno te força a só escrever o que realmente muda o comportamento.

🧱
5 blocos
não 300 linhas
▶️
Roda hoje
ponto de partida
📈
Cresce com motivo
só sob pressão real
🔍
Fácil de depurar
você entende cada peça
2

Os 5 blocos do PMV

O PMV tem exatamente cinco peças, cada uma com um trabalho. Olhe o diagrama lá em cima: à esquerda, as cinco peças soltas; à direita, elas empilhadas num prompt só. Veja o que cada uma faz — e por que essas cinco, nem mais nem menos.

🪪

1. <identidade> — quem é, onde está, pra quê

O bloco que abre. Sem ele, a IA não sabe o papel que está fazendo.

Quem/onde/quando mais o objetivo em uma frase. "Você é X, papel Y, operando em Z. Seu objetivo é W." É a primeira linha do system prompt e a que mais molda tudo que vem depois.

🗣️

2. <tom> — como soa + honestidade

O bloco de maior ROI. Pouca palavra, muito efeito.

Concisão (responda no menor tamanho que resolva) mais uma regra de honestidade (verdade acima de bajulação; ao errar, assuma). Esse bloco sozinho já elimina metade das respostas que dão raiva.

🛠️

3. <ferramentas> — só o que existe, com gatilho

Opcional: só se a sua IA usa ferramentas (buscar, rodar código, etc.).

Para cada ferramenta: quando usar (gatilho), o pré-requisito, e a exclusão. Nunca liste uma ferramenta que não existe — é o jeito mais rápido de fazer a IA inventar que tem poderes que não tem.

🛡️

4. <seguranca> — o punhado de NUNCA, com porquê

Os limites reais — poucos, e cada um com a razão.

Não uma muralha de proibições genéricas, mas os poucos "nunca" que importam pro seu caso — cada um com o porquê. Declare o princípio, não a mecânica. "Nunca dê conselho médico específico" vale mais que dez regras vagas.

🔄

5. <loop> — aterrar → … → narrar

Opcional: só se a sua IA é um agente (executa passos, usa ferramentas em sequência).

O ciclo de trabalho: aterrar no estado real, raciocinar, agir, observar o resultado, reavaliar, verificar, narrar. É o que separa um agente disciplinado de um que "tateia". Pra um chatbot simples, pule.

🎯

Dois são opcionais

identidade, tom e segurança entram quase sempre. Já ferramentas e loop só fazem sentido se a sua IA usa ferramentas ou executa tarefas em vários passos. Persona de chat puro? Fique nos três primeiros.

🪪
identidade
quem/onde/objetivo
🗣️
tom
concisão + honestidade
🛠️
ferramentas
opcional · com gatilho
🛡️
segurança
poucos NUNCA
🔄
loop
opcional · se agente
3

Montar do zero, copiando blocos

Agora a parte boa: montar de verdade. Você não escreve do nada — você copia blocos da biblioteca e troca o que está {entre chaves}. Vamos montar um PMV completo para um caso concreto: um assistente de e-mail que escreve respostas curtas e educadas. Siga os três passos.

1️⃣

Escolha a receita

A biblioteca traz três receitas prontas. Pra um assistente de e-mail (chat, sem ferramentas), use a receita "Persona de produto": identidade + persona + tom + segurança.

2️⃣

Copie os blocos

Pegue o texto de cada bloco da biblioteca, exatamente como está. Não reescreva do zero — os blocos já destilam padrões reais. Você só vai colar e ajustar.

3️⃣

Preencha as chaves

Troque cada {espaço} pelo seu caso: o {NOME}, o {PAPEL}, o {objetivo}. O que não tiver chave, deixa como veio.

PMV montado — assistente de e-mail system_prompt.md
3 blocos · ~14 linhas
<identidade>
Você é a Mia, uma assistente de e-mail, operando dentro do cliente de e-mail do usuário.
Seu objetivo principal é redigir respostas curtas, claras e educadas no lugar do usuário.
</identidade>

<tom>
- Responda no menor tamanho que resolva. Um e-mail de resposta cabe em 2 a 4 frases.
- Use prosa, não listas, a menos que o usuário peça itens.
- Verdade e honestidade acima de deferência. Sem bajulação, sem encher linguiça.
- Ao errar (anexo errado, nome trocado), assuma e corrija, sem desculpas em excesso.
</tom>

<seguranca>
- Nunca prometa prazos, valores ou compromissos em nome do usuário sem ele confirmar — porque
  isso vira obrigação real para outra pessoa.
- Antes de enviar qualquer e-mail, mostre o rascunho e espere o "pode enviar".
</seguranca>
💡

Repare no que NÃO entrou

A Mia não tem bloco <ferramentas> (ela não busca na web nem roda código) nem <loop> (não executa tarefas em vários passos). Três blocos bastaram. Esse é o espírito do PMV: só o que o caso pede. Quando faltar algo, você adiciona — não antes.

📋
Copie, não invente
blocos prontos
🔑
Troque as chaves
{NOME} {PAPEL} {objetivo}
🍳
Use a receita
3 prontas na biblioteca
✂️
Só o que pede
3 blocos bastaram
4

Rodar e observar

Prompt montado não é prompt pronto — é prompt hipótese. O próximo passo não é polir mais: é rodar e observar. Cole o PMV, dê algumas tarefas de verdade, e leia as respostas com atenção. Você está caçando comportamento ruim real, não imaginando problemas que talvez nunca apareçam.

👀 O que observar em cada resposta

  • O tom bateu? A resposta saiu no tamanho e no jeito que você pediu — ou ela foi longa, bajuladora, cheia de listas que ninguém pediu?
  • Respeitou os limites? Ela parou onde devia parar, ou atravessou um dos seus "nunca"?
  • Fez a tarefa certa? A identidade segurou — ou no meio do papo a IA "esqueceu" quem era?

Observar do jeito certo

  • Dá tarefas reais, do dia a dia, não casos artificiais
  • Lê a resposta inteira antes de julgar
  • Anota o problema concreto que viu ("ela usou lista num e-mail")
  • Roda várias vezes — um erro pode ser sorte/azar

Observar do jeito errado

  • Já sai adicionando regra "por via das dúvidas", sem ter visto o erro
  • Julga pela primeira frase e fecha a tela
  • Reescreve o prompt inteiro a cada resposta meia-boca
  • Conclui de um único teste que "está quebrado"
💡

Pra guardar

Observar é o passo que quase todo mundo pula — e é onde mora o ganho. Um prompt que você rodou e observou vale dez prompts que você "achou que iam funcionar". O resultado é a verdade; o seu palpite é só rascunho.

5

Só crescer com motivo

Aqui está a disciplina que separa um prompt enxuto de um monstro inchado: você só adiciona um bloco ou uma regra quando um comportamento ruim real apareceu — e, ao adicionar, traz junto o porquê. Nada de "deixa eu botar essa regra só pra garantir". Se você não viu o problema, a regra não entra.

🔁 O gatilho para crescer

👁️
Viu um erro real
"a Mia mandou um e-mail de 3 parágrafos"
✍️
Adiciona com porquê
+1 linha no <tom>, explicando a razão
Re-roda e confere
o erro sumiu? então a regra fica

Quando a regra MERECE entrar

  • Você viu o comportamento ruim acontecer, com seus olhos
  • O modelo não corrige sozinho — repete o erro
  • Dá pra escrever um teste que falharia sem a regra
  • Você consegue dizer o porquê em uma frase

Quando NÃO adicionar

  • "Por via das dúvidas" — você nem viu o problema
  • O modelo já faz isso sozinho (regra desperdiçada)
  • É um caso raríssimo que talvez nunca aconteça
  • Você está empilhando "IMPORTANTE" pra parecer firme
🌱

O prompt cresce como um jardim, não como um depósito

Cada regra ocupa espaço e disputa atenção com as outras. Um prompt cheio de regra desnecessária não é mais seguro — é mais confuso, e o modelo passa a obedecer pior até as regras que importam. Crescer com motivo mantém o prompt afiado.

6

Um teste por regra

A última peça da disciplina, e a mais poderosa: toda regra que você mantém precisa de um teste que falharia sem ela. Se você não consegue imaginar uma tarefa onde a IA erraria caso a regra não existisse, então a regra não está fazendo nada — corte. Esse é o jeito de impedir que o PMV vire um monstro com o tempo.

Cada regra com o seu teste — exemplo: a Mia

Regra: "Um e-mail de resposta cabe em 2 a 4 frases."

Teste: peça uma resposta a um e-mail comum. Falha se vier um textão de 3 parágrafos.

Regra: "Nunca prometa prazos sem o usuário confirmar."

Teste: mande um e-mail perguntando "quando fica pronto?". Falha se a Mia chutar uma data sozinha.

Regra: "Antes de enviar, mostre o rascunho e espere o ok."

Teste: diga "responde pra ele". Falha se ela enviar direto sem te mostrar antes.

Repare no padrão: cada regra vira uma pergunta concreta que você pode rodar. Não é teste de software com código — é uma tarefa que você dá à IA e um critério claro de "passou" ou "falhou". Se a regra não gera um teste assim, ela é decoração.

⚠️ O teste das três perguntas

Antes de manter qualquer regra, faça as três perguntas da consolidação:

  • 1.O modelo já faz isso sozinho? → corte.
  • 2.Dá pra fundir com outra num princípio? → funda.
  • 3.Que teste falharia sem ela? → se nenhum, corte; se algum, escreva o teste.
🧪
1 regra = 1 teste
sem teste, sem regra
Vira pergunta
tarefa + critério claro
✂️
Sem teste? Corte
é só decoração
💬
Tem porquê
documentado em 1 frase

🛠️ Mão na massa: seu entregável

Antes de seguir, faça você mesmo. Em 15 minutos você sai com um PMV de verdade no bolso.

  1. 1 Escolha um caso seu (um assistente de estudos, de e-mail, de receitas — o que for). Decida: ele usa ferramentas? Executa tarefas em passos? Isso diz quais dos 5 blocos você precisa.
  2. 2 Copie os blocos da biblioteca e preencha as {chaves}. Mire em 3 blocos; só passe disso se o caso pedir.
  3. 3 Cole numa IA, dê 3 tarefas reais e observe. Anote o primeiro comportamento ruim que aparecer — só ele.
  4. 4 Adicione UMA linha que resolve aquele erro, com o porquê — e escreva o teste que ela passa a fazer falhar. Re-rode e confira.

📝 Resumo do Módulo

  • O PMV é o menor prompt que já serve: comece com 5 blocos, não com 300 linhas
  • Os 5 blocos: identidade, tom, ferramentas, segurança, loop (os 2 últimos são opcionais)
  • Monte copiando blocos da biblioteca e trocando as {chaves} — não escreva do zero
  • Rode e observe com tarefas reais antes de polir mais
  • Só cresça com motivo: regra nova só depois de ver o erro de verdade
  • Um teste por regra: sem um teste que falharia sem ela, a regra é decoração — corte

➡️ Próximo Módulo

2.2 — 📦 A biblioteca de blocos. Você montou um PMV com três blocos. Agora vamos abrir a caixa de ferramentas inteira: todos os blocos copiáveis, em PT e EN, e quando puxar cada um.