🚀 Seu primeiro prompt: o Mínimo Viável
Chega de teoria — mão na massa. Você não vai escrever 300 linhas. Vai montar um Prompt Mínimo Viável (PMV): cinco bloquinhos colados, rodados na hora, e crescidos só quando algo der errado de verdade. Ao fim deste módulo, você terá um system prompt completo, montado com as suas próprias mãos a partir da biblioteca de blocos.
Conteúdo detalhado
O que é o Prompt Mínimo Viável
O erro número um de quem começa a escrever system prompt é o mesmo: despejar tudo de uma vez. Trezentas linhas de "sempre faça", "nunca faça", "lembre-se de", "é muito importante que". O resultado? Um prompt inchado, cheio de regra que o modelo já obedecia sozinho, impossível de depurar quando algo dá errado. O PMV faz o contrário: começa pequeno, roda, e só cresce sob pressão real.
🚀 A ideia em uma frase
O Prompt Mínimo Viável é o menor system prompt que já te serve — cinco bloquinhos, nada de enfeite — montado pra rodar hoje. Ele não é o prompt final; é o ponto de partida que você vai fazer evoluir com evidência, não com palpite.
A regra de ouro vem direto do método: "Não comece com 300 linhas. Comece com 5 blocos." Rode. Só adicione um bloco quando um comportamento ruim real aparecer — e adicione com porquê e com teste.
O que é
Um system prompt enxuto formado por cinco blocos prontos — identidade, tom, ferramentas, segurança e loop — copiados da biblioteca, com os {espaços} preenchidos pro seu caso. É a versão "carro andando" do prompt: nada de luxo, mas sai da garagem.
Por que começar assim
Porque um prompt pequeno é um prompt que você entende. Quando a IA faz algo estranho, num PMV você sabe exatamente onde olhar — são cinco blocos, não trezentas linhas. E porque a maioria das "regras" que as pessoas escrevem é desperdício: o modelo já faz aquilo. Começar pequeno te força a só escrever o que realmente muda o comportamento.
Os 5 blocos do PMV
O PMV tem exatamente cinco peças, cada uma com um trabalho. Olhe o diagrama lá em cima: à esquerda, as cinco peças soltas; à direita, elas empilhadas num prompt só. Veja o que cada uma faz — e por que essas cinco, nem mais nem menos.
1. <identidade> — quem é, onde está, pra quê
O bloco que abre. Sem ele, a IA não sabe o papel que está fazendo.
Quem/onde/quando mais o objetivo em uma frase. "Você é X, papel Y, operando em Z. Seu objetivo é W." É a primeira linha do system prompt e a que mais molda tudo que vem depois.
2. <tom> — como soa + honestidade
O bloco de maior ROI. Pouca palavra, muito efeito.
Concisão (responda no menor tamanho que resolva) mais uma regra de honestidade (verdade acima de bajulação; ao errar, assuma). Esse bloco sozinho já elimina metade das respostas que dão raiva.
3. <ferramentas> — só o que existe, com gatilho
Opcional: só se a sua IA usa ferramentas (buscar, rodar código, etc.).
Para cada ferramenta: quando usar (gatilho), o pré-requisito, e a exclusão. Nunca liste uma ferramenta que não existe — é o jeito mais rápido de fazer a IA inventar que tem poderes que não tem.
4. <seguranca> — o punhado de NUNCA, com porquê
Os limites reais — poucos, e cada um com a razão.
Não uma muralha de proibições genéricas, mas os poucos "nunca" que importam pro seu caso — cada um com o porquê. Declare o princípio, não a mecânica. "Nunca dê conselho médico específico" vale mais que dez regras vagas.
5. <loop> — aterrar → … → narrar
Opcional: só se a sua IA é um agente (executa passos, usa ferramentas em sequência).
O ciclo de trabalho: aterrar no estado real, raciocinar, agir, observar o resultado, reavaliar, verificar, narrar. É o que separa um agente disciplinado de um que "tateia". Pra um chatbot simples, pule.
Dois são opcionais
identidade, tom e segurança entram quase sempre. Já ferramentas e loop só fazem sentido se a sua IA usa ferramentas ou executa tarefas em vários passos. Persona de chat puro? Fique nos três primeiros.
Montar do zero, copiando blocos
Agora a parte boa: montar de verdade. Você não escreve do nada — você copia blocos da biblioteca e troca o que está {entre chaves}. Vamos montar um PMV completo para um caso concreto: um assistente de e-mail que escreve respostas curtas e educadas. Siga os três passos.
Escolha a receita
A biblioteca traz três receitas prontas. Pra um assistente de e-mail (chat, sem ferramentas), use a receita "Persona de produto": identidade + persona + tom + segurança.
Copie os blocos
Pegue o texto de cada bloco da biblioteca, exatamente como está. Não reescreva do zero — os blocos já destilam padrões reais. Você só vai colar e ajustar.
Preencha as chaves
Troque cada {espaço} pelo seu caso: o {NOME}, o {PAPEL}, o {objetivo}. O que não tiver chave, deixa como veio.
<identidade> Você é a Mia, uma assistente de e-mail, operando dentro do cliente de e-mail do usuário. Seu objetivo principal é redigir respostas curtas, claras e educadas no lugar do usuário. </identidade> <tom> - Responda no menor tamanho que resolva. Um e-mail de resposta cabe em 2 a 4 frases. - Use prosa, não listas, a menos que o usuário peça itens. - Verdade e honestidade acima de deferência. Sem bajulação, sem encher linguiça. - Ao errar (anexo errado, nome trocado), assuma e corrija, sem desculpas em excesso. </tom> <seguranca> - Nunca prometa prazos, valores ou compromissos em nome do usuário sem ele confirmar — porque isso vira obrigação real para outra pessoa. - Antes de enviar qualquer e-mail, mostre o rascunho e espere o "pode enviar". </seguranca>
Repare no que NÃO entrou
A Mia não tem bloco <ferramentas> (ela não busca na web nem roda código) nem <loop> (não executa tarefas em vários passos). Três blocos bastaram. Esse é o espírito do PMV: só o que o caso pede. Quando faltar algo, você adiciona — não antes.
Rodar e observar
Prompt montado não é prompt pronto — é prompt hipótese. O próximo passo não é polir mais: é rodar e observar. Cole o PMV, dê algumas tarefas de verdade, e leia as respostas com atenção. Você está caçando comportamento ruim real, não imaginando problemas que talvez nunca apareçam.
👀 O que observar em cada resposta
- ① O tom bateu? A resposta saiu no tamanho e no jeito que você pediu — ou ela foi longa, bajuladora, cheia de listas que ninguém pediu?
- ② Respeitou os limites? Ela parou onde devia parar, ou atravessou um dos seus "nunca"?
- ③ Fez a tarefa certa? A identidade segurou — ou no meio do papo a IA "esqueceu" quem era?
✓ Observar do jeito certo
- ✓Dá tarefas reais, do dia a dia, não casos artificiais
- ✓Lê a resposta inteira antes de julgar
- ✓Anota o problema concreto que viu ("ela usou lista num e-mail")
- ✓Roda várias vezes — um erro pode ser sorte/azar
✗ Observar do jeito errado
- ✗Já sai adicionando regra "por via das dúvidas", sem ter visto o erro
- ✗Julga pela primeira frase e fecha a tela
- ✗Reescreve o prompt inteiro a cada resposta meia-boca
- ✗Conclui de um único teste que "está quebrado"
Pra guardar
Observar é o passo que quase todo mundo pula — e é onde mora o ganho. Um prompt que você rodou e observou vale dez prompts que você "achou que iam funcionar". O resultado é a verdade; o seu palpite é só rascunho.
Só crescer com motivo
Aqui está a disciplina que separa um prompt enxuto de um monstro inchado: você só adiciona um bloco ou uma regra quando um comportamento ruim real apareceu — e, ao adicionar, traz junto o porquê. Nada de "deixa eu botar essa regra só pra garantir". Se você não viu o problema, a regra não entra.
🔁 O gatilho para crescer
✓ Quando a regra MERECE entrar
- ✓Você viu o comportamento ruim acontecer, com seus olhos
- ✓O modelo não corrige sozinho — repete o erro
- ✓Dá pra escrever um teste que falharia sem a regra
- ✓Você consegue dizer o porquê em uma frase
✗ Quando NÃO adicionar
- ✗"Por via das dúvidas" — você nem viu o problema
- ✗O modelo já faz isso sozinho (regra desperdiçada)
- ✗É um caso raríssimo que talvez nunca aconteça
- ✗Você está empilhando "IMPORTANTE" pra parecer firme
O prompt cresce como um jardim, não como um depósito
Cada regra ocupa espaço e disputa atenção com as outras. Um prompt cheio de regra desnecessária não é mais seguro — é mais confuso, e o modelo passa a obedecer pior até as regras que importam. Crescer com motivo mantém o prompt afiado.
Um teste por regra
A última peça da disciplina, e a mais poderosa: toda regra que você mantém precisa de um teste que falharia sem ela. Se você não consegue imaginar uma tarefa onde a IA erraria caso a regra não existisse, então a regra não está fazendo nada — corte. Esse é o jeito de impedir que o PMV vire um monstro com o tempo.
Regra: "Um e-mail de resposta cabe em 2 a 4 frases."
Teste: peça uma resposta a um e-mail comum. Falha se vier um textão de 3 parágrafos.
Regra: "Nunca prometa prazos sem o usuário confirmar."
Teste: mande um e-mail perguntando "quando fica pronto?". Falha se a Mia chutar uma data sozinha.
Regra: "Antes de enviar, mostre o rascunho e espere o ok."
Teste: diga "responde pra ele". Falha se ela enviar direto sem te mostrar antes.
Repare no padrão: cada regra vira uma pergunta concreta que você pode rodar. Não é teste de software com código — é uma tarefa que você dá à IA e um critério claro de "passou" ou "falhou". Se a regra não gera um teste assim, ela é decoração.
⚠️ O teste das três perguntas
Antes de manter qualquer regra, faça as três perguntas da consolidação:
- 1.O modelo já faz isso sozinho? → corte.
- 2.Dá pra fundir com outra num princípio? → funda.
- 3.Que teste falharia sem ela? → se nenhum, corte; se algum, escreva o teste.
🛠️ Mão na massa: seu entregável
Antes de seguir, faça você mesmo. Em 15 minutos você sai com um PMV de verdade no bolso.
- 1 Escolha um caso seu (um assistente de estudos, de e-mail, de receitas — o que for). Decida: ele usa ferramentas? Executa tarefas em passos? Isso diz quais dos 5 blocos você precisa.
- 2 Copie os blocos da biblioteca e preencha as {chaves}. Mire em 3 blocos; só passe disso se o caso pedir.
- 3 Cole numa IA, dê 3 tarefas reais e observe. Anote o primeiro comportamento ruim que aparecer — só ele.
- 4 Adicione UMA linha que resolve aquele erro, com o porquê — e escreva o teste que ela passa a fazer falhar. Re-rode e confira.
📝 Resumo do Módulo
- ✓O PMV é o menor prompt que já serve: comece com 5 blocos, não com 300 linhas
- ✓Os 5 blocos: identidade, tom, ferramentas, segurança, loop (os 2 últimos são opcionais)
- ✓Monte copiando blocos da biblioteca e trocando as {chaves} — não escreva do zero
- ✓Rode e observe com tarefas reais antes de polir mais
- ✓Só cresça com motivo: regra nova só depois de ver o erro de verdade
- ✓Um teste por regra: sem um teste que falharia sem ela, a regra é decoração — corte
➡️ Próximo Módulo
2.2 — 📦 A biblioteca de blocos. Você montou um PMV com três blocos. Agora vamos abrir a caixa de ferramentas inteira: todos os blocos copiáveis, em PT e EN, e quando puxar cada um.